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9.

QUER SUBIR NA VIDA? COMO NÃO QUERER O MELHOR? [2008]
Acrílica sobre parede, 139x88cm.
Foto: Luis Oliveira.

p.s. se você só pensa merda transforme o seu cérebro em adubo!

8.

SEMI-ÓTICA (ou) O AMOR CEGA! [2004]
Pintura Mista, 45x55cm.
Foto: LG

Estamos quase sublimando o desejo com a carência. Estamos quase satisfeitos com a falta que as pessoas fazem. Por isso, peço encarecidamente que retire a minha alma e saia com ela por aí para passear e perceber as estrelas. Quem sabe elas não nos contam os segredos de nosso destino. Deixe o meu corpo ficar pensando nos complementos antagônicos para as estruturas dialéticas de um discurso antinômico... e foi assim que a cabeça do moribundo expoente explodiu com o limite do lógico externalizando até unha encravada!

7.

AS NOVE SUBJETIVIDADES [2008]
Nanquim/Acrílica sobre Tela, 70x60cm.
Foto: Luis Oliveira.

Ainda não consigo exercer uma relativa unanimidade corporal. A minha consciência postula disciplina: é necessário que a subjetividade seja determinada pela experiência. No entanto, a memória consegue convencer as pálpebras de meus olhos a fecharem suas portas impedindo o feixe de luz portador de desejos sensíveis. Em meio a tudo que se passa, o joelho ri da nossa incapacidade de se alimentar a fome com a batata-da-perna.

3.

Tudo começou certo dia quando meu cérebro renegou sua autonomia e decidiu fazer greve. Já não queria ser o responsável por decisões a serem tomadas. Por mais incrível que pareça coincidiu com o momento em que meu coração já não queria mais sentir por estar sofrendo demais. Fato é que as diferentes partes de mim se desagregavam para tornarem a ser coisa inteira. Tinham chegado à conclusão de que nada valia à pena e queriam apenas, e nada menos, que a unanimidade.

Tornar a ser uma só voz, uma única linguagem corporal. Este era o lema: Dito e Feito. Mesmo porque não havia mais distância entre intenção e gesto. Tudo era uma coisa só e a vida passou a ser vivida de corpo inteiro. Eis que surgiram certas complicações... Minha alma ficou sabendo o que me acontecia e achou por direito que também deveria ser incorporada. Foi criado o impasse: como é que o efêmero se tornaria matéria? Pior, que lugar no espaço ocuparia? Aliás, meu corpo nunca havia visto a minha alma e havia certo receio de que, em virtude de sua fama, a alma uma vez palpável seria tão grande, a ponto de ser impossível fazer parte de algo menor que ela. O que fazer? Um corpo não podia deixar de ter alma, mas se a alma ao se tornar matéria fagocitasse o corpo, este deixaria de existir do mesmo jeito. O desaparecimento de meu corpo parecia coisa inevitável. Que horror! Entretanto, meu fim não significava minha extinção. Ora, perceba: com a morte a vida continua! As bactérias que se alimentam do seu cadáver fertilizam o solo em que nasce a grama que a vaca pasta. Ou seja: você vira hamburger!

DEMIURGOS, UNI-VOS! FAÇA O POSSÍVEL COM O MÍNIMO [2008]
Acrílica sobre Parede, 136x79cm.
Foto: Luis Oliveira.